Nos anos 2000, a Rua Amauri, no Itaim Bibi, concentrava boa parte da vida noturna de alto padrão de São Paulo. Em pouco mais de 300 metros, o endereço reunia restaurantes disputados, festas e um público que ajudou a fixar a rua no imaginário da cidade.
A década seguinte foi outra história. Novos polos de gastronomia e entretenimento surgiram em bairros vizinhos e a Amauri perdeu parte do movimento. A partir de 2026, porém, a rua deve recuperar espaço — desta vez com um perfil mais discreto e puxado pelos investimentos imobiliários.
O principal deles é o Amauri 306, edifício corporativo da Idea!Zarvos que entra em operação no início do ano. São 24 lajes, de 305 a 610 metros quadrados, com projeto de Isay Weinfeld e paisagismo de Rodrigo Oliveira.
Segundo a incorporadora, a premissa do projeto foi manter a escala do entorno e preservar a praça pública vizinha ao terreno, criada pelo próprio arquiteto no início dos anos 2000. A Casa Bola, de Eduardo Longo, também permanece em uma porção destacada da área.

A fachada foge do vidro espelhado que domina a região da Faria Lima: a estrutura externa é de concreto em tons terrosos, e o hall de entrada tem pé-direito convencional, sem revestimentos de luxo. A intenção declarada é de sobriedade, não de ostentação.
O mesmo escritório responde por boa parte da paisagem atual da rua, incluindo o urbanismo da via — aterramento da fiação, alargamento das calçadas e mobiliário urbano — além de um dos restaurantes que ajudaram a consolidar o endereço.
No embasamento do novo prédio estão previstas três casas de gastronomia. Uma delas é a reabertura de um restaurante fundado em 2001 e fechado durante a pandemia, agora sob nova operação. A expectativa do setor é que o conjunto devolva à rua o fluxo de almoço corporativo e jantar.
Outro endereço tradicional da via também deve reabrir em janeiro. Juntos, eles passam a dividir a rua com uma casa italiana que opera ali desde o fim dos anos 1990 — o negócio mais longevo do trecho.
ATIVO ESPECIAL
Acima de um desses restaurantes funciona um edifício corporativo de 16 andares, associado a uma segunda torre na rua de trás. O conjunto foi comprado há dois anos por uma gestora de recursos por mais de R$ 610 milhões.
Hoje o prédio está 100% ocupado, com fila de espera para locação e o maior valor de aluguel por metro quadrado comercial da cidade — na casa dos R$ 400 mensais, segundo dados de mercado.

A explicação está na combinação de localização e formato: lajes menores, de 250 a 800 metros quadrados, atraem empresas com poucos funcionários e alto valor agregado, como family offices e gestoras de fundos. É um produto difícil de replicar no entorno.
Para 2027, o mercado aguarda a definição do uso de um terreno de três mil metros quadrados recém-formado na rua. A hipótese mais comentada é a de um hotel de bandeira internacional, o que pressionaria ainda mais os preços dos imóveis comerciais do trecho.
Consultorias que acompanham a região apontam que os espaços hoje disponíveis já partem de cerca de R$ 300 por metro quadrado ao mês, acima da média do segmento butique na cidade. O estoque limitado, a demanda seletiva e o zoneamento — diferente em dois trechos da via — restringem o crescimento físico e reforçam o caráter de micromercado.
Post de teste criado para validar o novo layout de notícias do Bell-Kall. Pauta e dados baseados na reportagem “Rua Amauri volta ao mapa do mercado imobiliário paulistano”, publicada na editoria Imóveis de Valor, do Valor Econômico, em 12/12/2025. Texto reescrito; imagens meramente ilustrativas.
