Com pouco mais de 300 metros de extensão, a Rua Amauri, na divisa entre o Itaim Bibi e o Jardim Europa, foi o endereço mais badalado de São Paulo nos anos 2000. Depois de uma década em segundo plano, a via volta ao radar do mercado imobiliário — agora em uma versão mais discreta, puxada por investimentos em escritórios, gastronomia e, possivelmente, hotelaria de luxo.
Um corporativo-butique assinado por Isay Weinfeld
O principal movimento é a entrada em operação do Amauri 306, edifício corporativo da Idea!Zarvos com 24 lajes de 305 a 610 metros quadrados, projeto de Isay Weinfeld e paisagismo de Rodrigo Oliveira. O briefing do incorporador pedia a preservação da Praça da Amauri, criada pelo próprio arquiteto em 2003, que foi mantida e ampliada — assim como a Casa Bola, de Eduardo Longo, em porção destacada do terreno.
A fachada foge do vidro espelhado típico da região da Faria Lima: estrutura externa em concreto, tons terrosos, hall com pé-direito tradicional e ausência de materiais luxuosos. Weinfeld já havia assinado na rua a praça pública, a Forneria San Paolo e o próprio urbanismo da via, com fiação enterrada, calçadas ampliadas e mobiliário para pedestres.
A gastronomia como âncora
O embasamento do novo prédio recebe operações de restaurantes, e a vocação gastronômica da rua ganha reforço com a reabertura do Ecco, prevista para janeiro. Eles se somam ao Parigi, do Grupo Fasano, em operação no endereço desde o fim dos anos 1990.
Aluguel recorde e estoque travado
Sobre o Parigi funciona o Metropolitan Office, de 16 andares, associado à torre Platinum Office. O conjunto pertence à RBR Asset Management, que o comprou há dois anos por mais de R$ 610 milhões. Hoje está 100% ocupado, com lista de espera e aluguel na casa de R$ 400 por metro quadrado — recorde para o segmento comercial na cidade.
Para Guilherme Bueno Netto, sócio-fundador da RBR Asset, trata-se de um ativo difícil de replicar, pela localização entre o Itaim e o Jardim Europa, o heliponto no topo e o restaurante cinco estrelas no térreo. Mesmo os espaços disponíveis na via partem de cerca de R$ 300 mensais por metro quadrado, acima da média do segmento butique, segundo Ygor Chrispin, gerente de Escritórios da Colliers Brasil.
O que ainda pode vir
O mercado aguarda a definição de um terreno de três mil metros quadrados recém-formado na rua, atribuído à gestora Catuai Asset. Especula-se a chegada da Four Seasons, que deixou o país em 2020. A confirmação tende a pressionar ainda mais os preços dos imóveis comerciais do entorno.
Por que isso importa
Estoque limitado, zoneamento que restringe o crescimento físico em dois trechos distintos e demanda seletiva formam o retrato de um micromercado ultra-restrito. É o mesmo conjunto de fatores que sustenta a valorização residencial no entorno do Itaim e do Jardim Europa — regiões onde a escassez, e não o ciclo econômico, dita o preço.
Com informações de Valor Econômico — Imóveis de Valor.
